Pesadelos podem interferir na qualidade do sono

Dormir faz bem para a saúde. É na hora do sono que fazemos o descanso do corpo e da mente. Mas, para muita gente, dormir pode se tornar um problema. Ao invés de ter uma noite de sono tranquila, a pessoa fica presa a uma situação mental de angustia, aflição, medo, terror ou insegurança, causando os chamados pesadelos.

Mas, o que é um pesadelo? De acordo com o médico psiquiatra Dr. Dirceu de Campos Valladares Neto, que atua como diretor da Clinica do Sono, em Belo Horizonte, e é presidente da Fundação Nacional do Sono (FUNDASONO), o pesadelo é um sonho com vivências negativas, indesejadas ou ameaçadoras que podem ocorrer nas mais diversas circunstâncias, trazendo problemas como a insônia, entre outros.

“Por suas características indesejadas, o pesadelo pode fazer o paciente acordar subitamente e, até mesmo, não desejar voltar a adormecer por conta do temor das vivências. As causas podem ser muitas, desde um trauma ou até mesmo no uso de alguns medicamentos que interferem no humor. No mais, se recorrente ou repetitivo, o pesadelo indica que alguma coisa não está bem e o paciente deve procurar ajuda especializada”, comenta Dr. Dirceu.

Neste contexto, o médico psiquiatra e professor da UFMG, Dr. Almir Tavares, especialista em Medicina do Sono, alerta que os pesadelos com certa frequência podem interferir diretamente na qualidade do sono e revelar alguns problemas de saúde, como no caso de problemas de respiração e alterações hormonais que podem modificar a qualidade do sono.

“Por exemplo, o portador de diabetes que apresenta uma alteração do hormônio da insulina, pode apresentar a síndrome das pernas inquietas, que interrompe o sono à noite. A respiração também interfere. É fundamental respirar bem durante o sono e oxigenar adequadamente o sangue. Doenças otorrinolaringológicas podem produzir obstáculo à passagem do ar, ligadas ao nariz, da boca e da garganta”.

O especialista esclarece ainda que a alimentação também tem influência na qualidade do sono e na chance de desenvolver pesadelos. De acordo com o Dr. Almir Tavares, a ingestão de alimentos muito condimentados e gordurosos próximo ao horário de dormir, pode aumentar o risco de pesadelos.

“Alimentação pesada à noite pode piorar a qualidade de sono. É interessante aguardar cerca de três horas após a última alimentação para entrar na cama à noite. Também existe outro fator: muitas pessoas apresentam episódios de refluxo gastroesofágico à noite. À medida que os anos de idade vão se passando, se torna maior a tendência para episódios de refluxo. Pessoas portadoras da doença do refluxo gastroesofágico podem ser beneficiadas pelo emprego prolongado de medicações para tratamento deste problema, melhorando assim a qualidade do sono”.

Emocional

Além do fator orgânico, o pesadelo também pode estar ligado ao fator emocional. “Pessoas que passaram por uma situação de estresse ou trauma têm mais predisposição a desenvolver pesadelos. Isso se deve, sobretudo, por que o Transtorno do Estresse Pós-Traumático que mexe com todo o emocional da pessoa e, muitas vezes, o modo de resolver internamente esta questão é no sonho, fazendo com que os pesadelos se tornem mais frequente. Com isso, o despertar, logo após o pesadelo, é habitualmente marcado por lembranças muito vívidas do episódio traumático”, conta Dr. Dirceu Valladares.

O representante comercial Antônio Paula Marques, de 31 anos, começou a ter pesadelos após ter passado por um trauma particular. Desde que perdeu a mãe em um acidente de carro há cinco anos, ele começou a ter uma série de pesadelos com frequência. Além disso, o ocorrido o levou a ter depressão, insônia e a um doloroso processo de luto.

“Estávamos indo viajar de carro. Planejamos essas férias com quase um ano de antecedência. Do nada, um caminhão desgovernado bateu no nosso carro na estrada. Minha mãe morreu na hora e eu fiquei hospitalizado quase um mês. É uma dor danada perdeu alguém que se ama em um acidente. Fiquei desesperado, triste e inconformado. Desenvolvi depressão e não dormia porque sempre sonhava com o acidente ou com alguma situação em que estava preso em alguma coisa. Me sentia culpado”, revela.

Foi só após fazer terapia que Antônio Paulo conseguiu recuperar a qualidade do sono. “Meus parentes e amigos ficaram preocupado porque eu não dormia mais, não tinha animo para nada. Quando dormia só tinha pesadelos e acordava irritado. Era sempre um sufoco e uma angustia acordar. Teve uma vez que assustei a minha namorada porque me arranhei todo e gritei muito durante o sono. Foi aí que procurei um médico. Comecei a fazer terapia e a enfrentar o luto”.

Para dormir, Antônio conta que aprendeu uma técnica durante a terapia. “Coloco música instrumental bem baixinho antes de dormir e fico pensando no que aconteceu no meu dia, nas coisas que fiz e que quero fazer. Também faço as minhas orações e durmo com a luz acesa. Foi na terapia que descobri que o ambiente escuro me fazia lembrar do acidente e a trazer lembranças ruins. Antes deixava a casa toda acesa, depois foi alguns cômodos e, após um tempo, só o meu quarto. Agora só o abajur fica aceso. Pode parecer firula, mas não é. Para mim, não ter mais pesadelo é uma vitória”.

Fonte: https://www.reportagemsocial.com.br/

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